E então eu olho pra trás.. Eu sei que é feio se arrepender, não faz muito o estilo Carpe Diem, mas se eu pudesse, mudaria muita coisa, para evitar certas conseqüências. Mas é assim mesmo, vai acontecendo e quando você percebe que está fora do controle e resolve frear, você já bateu. E então você desmaia, fica apagada por um bom tempo.. Você faz uma cirurgia. Logo logo, você está no quarto, em recuperação. Então, muitos dias passam e vão passando lentamente.. E quando você começa a achar que não volta mais, seu médico te dá alta. Então, você entra no carro e começa a correr de novo..
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Velocidade do coração
Ando por aí e parece que toda vez que olho para alguma coisa, tem uma lacuna. Bem ali, onde você deveria estar. Isso não quer dizer que eu queria que você estivesse ali, as pessoas mudam, a vida me ensinou. Mas esse costume rotineiro me pega desprevenida algumas vezes, me dá aquele estalo: Cadê você? Nunca pensei que eu conseguiria apagar tudo. Me dá uma agonia gigantesca. Eu não tenho fotos, não tenho depoimentos, não tenho cartas, não tenho bichinhos de pelucia, não tenho roupas, joguei tudo fora juntamente com você. É estranho viver com uma lacuna. Ou melhor, era estranho. Depois de um tempo, mesmo sem perceber, esse espaço já foi preenchido. Onde ficava você e sobrava um espacinho, hoje transborda..
E então eu olho pra trás.. Eu sei que é feio se arrepender, não faz muito o estilo Carpe Diem, mas se eu pudesse, mudaria muita coisa, para evitar certas conseqüências. Mas é assim mesmo, vai acontecendo e quando você percebe que está fora do controle e resolve frear, você já bateu. E então você desmaia, fica apagada por um bom tempo.. Você faz uma cirurgia. Logo logo, você está no quarto, em recuperação. Então, muitos dias passam e vão passando lentamente.. E quando você começa a achar que não volta mais, seu médico te dá alta. Então, você entra no carro e começa a correr de novo..
E então eu olho pra trás.. Eu sei que é feio se arrepender, não faz muito o estilo Carpe Diem, mas se eu pudesse, mudaria muita coisa, para evitar certas conseqüências. Mas é assim mesmo, vai acontecendo e quando você percebe que está fora do controle e resolve frear, você já bateu. E então você desmaia, fica apagada por um bom tempo.. Você faz uma cirurgia. Logo logo, você está no quarto, em recuperação. Então, muitos dias passam e vão passando lentamente.. E quando você começa a achar que não volta mais, seu médico te dá alta. Então, você entra no carro e começa a correr de novo..
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Texto de Caio Fernando Abreu
Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos…
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muitomais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.
Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, decontinuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.
(Retirado do livro "Pequenas Epifanias")
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Vivendo..
"Vou ensinar o que agorinha eu sei demais: é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro !" ☮ Guimarães Rosa
domingo, 17 de julho de 2011
Brisa..
"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar."
Remar.
Re-amar.
Amar."
Grande Caio Fernando Abreu.
Dono de um coração muito semelhante ao meu!
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Contar até dez..
Queria ter um manual que dissesse o que devo fazer, o que devo falar, a hora que é melhor ficar calada e até entonação.
Só que aí eu seria um marionete e não uma pessoa.
As vezes fico pensando o quão mais fácil seria se alguém vivesse por mim e eu ficasse só lá, decidindo, monotamente, isso sim, isso não. Faça aquilo, faça isso, pare de escrever, você é uma idiota.
Acho que pelo menos uma vez na vida todo mundo precisa passar por uma crise existencial tipo essa, os mais leigos dizem que se chama TPM. Tpm é o caralho. Esses papinhos de que pra homem tá sempre tudo bom, tudo bem. Não chora, não ama, não liga. Fala sério, vamos pro século XXI. Quem tem tpm é o teu pai. É, isso aí. Não gostou não? Mês que vem acontece de novo. Dana-se, rs
Eu, sinceramente, não sei. Atualmente, to me fazendo essa pergunta de 5 em 5 minutos. Parece que nada que eu faço tá bom o suficiente, se estiver pro outro, não tá pra bom pra mim, insatisfeita, mal humorada, respondona (segundo a minha mãe tem tb: insuportável, chata, idiota e mais um arsenal), ou seja: O QUE ESTOU FAZENDO AQUI?
Hahahaha, chega a ser ridículo assim ver meus dedos digitando coisas tão chatas e idiotas, mas eu preciso falar.
To numa fase que quero viver tudo, não quero viver nada e o que eu vivo, quase não dou conta. Mas tem que ser assim, se não, não é viver. Tem que amar em um dia, odiar no outro, querer e não querer.
Se não, cadê a graça?
segunda-feira, 4 de julho de 2011
"Nós"
Muitos anos depois, em uma entrega de prêmios..
-Meu Deus, quanto tempo! Como vc está? - Diz ela.
-Estou ótimo! E vc?
-Estou bem também...
-É, então você conseguiu.. Seu grande sonho.
-Verdade! Eu não disse que conseguia? Sou uma grande jornalista hoje.
-Eu sei, qualquer coisa que eu leia, vejo seu nome.
-São as grandes matérias, hahaha. E você também conseguiu..
-É, comprei as ações da Petrobrás.
-Fiquei sabendo! Parabéns, agora você está entre os "10 mais" do Brasil
-Estou, sinceramente, orgulhoso de nós.
-Em pensar que na época no colégio a gente ainda duvidava..
-Verdade, e o resto do pessoal? Sabe de alguém?
-Nada demais, alguns se deram bem, outros não.. Acontece.
-Imagino.. E você? A vida, o amor.. Já tem família?
-Não, passei muito tempo focada na minha carreira. E você? Já está casado?
-Hahaha, não levo muito jeito com mulheres.. Você sabe disso!
-Ah, que isso! Hahahaha. Não digo nada.
(Ela não queria dizer nada, mas pensava. Um turbilhão de coisas vinham na sua mente. O primeiro beijo deles, como eles fizeram juras de que o amor deles seria pra sempre. Maldita distância, sempre estragava tudo. Na verdade, ela nunca se esqueceu. Queria dizer, mas não conseguia fazer sair de dentro dela. Tinha medo do que ele fosse pensar, tinha mais medo ainda de estragar aquele momento. Afinal, ele, dono de uma das maiores empresas do Brasil e ela, grande jornalista, muito renomada. Só que, mais uma vez, ela não chegava aos pés de tudo o que ele era. Ela não sabia como ele conseguia, só sabia que era puro esforço próprio, isso a encantava. Quase tanto quanto seu sorrisso. Aquele sorriso.)
-Senti sua falta -disse ele.
-(...)
-Não vai dizer nada?
- Eu também senti. E muito. - disse ela.
-Queria que as coisas tivessem sido diferentes pra gente, foi tudo tão corrido.
-Eu sempre te disse isso, no momento que eu te conheci melhor, soube que você seria a melhor coisas que ia acontecer na minha vida. Mas nunca duvidei que o destino iria nos pregar uma peça..
-Verdade, você sempre dizia.. e eu ficava com tanta raiva
(Ele faz aquela voz amena, aquele sorrisso doce. Aquele sorrisso,)
-Pois é, maldito destino! Eu poderia ter te conhecido em outra vida, onde nao houvesse tanta discórdia, tantos problemas, tanta coisa.. Ou poderia ter te conhecido hoje.
-Será que seria a mesma coisa? Apesar de serem lembranças, ainda são tão doces. Eu não trocaria nada desse mundo por elas.
-Nem para ter lembranças novas?
-Por que preciso apagar as antigas? As novas poderiam ficar ao lado delas, eu dou conta.
-Ficaria muito feliz.
-Que tal um jantar?
-Claro! Um jantar..
-Mas me promete uma coisa?
-O que?
-Tudo o que dissermos, temos que cumprir.
-O que eu disse que não cumpri?
-Disse que iria passar a vida inteira ao meu lado.
-Pra mim, a vida tá começando nesse exato momento.
(Eles saíram nas duas noites seguintes. Namoraram dois meses. Casaram. E o "maldito destino" pregou outra peça neles..)
-Meu Deus, quanto tempo! Como vc está? - Diz ela.
-Estou ótimo! E vc?
-Estou bem também...
-É, então você conseguiu.. Seu grande sonho.
-Verdade! Eu não disse que conseguia? Sou uma grande jornalista hoje.
-Eu sei, qualquer coisa que eu leia, vejo seu nome.
-São as grandes matérias, hahaha. E você também conseguiu..
-É, comprei as ações da Petrobrás.
-Fiquei sabendo! Parabéns, agora você está entre os "10 mais" do Brasil
-Estou, sinceramente, orgulhoso de nós.
-Em pensar que na época no colégio a gente ainda duvidava..
-Verdade, e o resto do pessoal? Sabe de alguém?
-Nada demais, alguns se deram bem, outros não.. Acontece.
-Imagino.. E você? A vida, o amor.. Já tem família?
-Não, passei muito tempo focada na minha carreira. E você? Já está casado?
-Hahaha, não levo muito jeito com mulheres.. Você sabe disso!
-Ah, que isso! Hahahaha. Não digo nada.
(Ela não queria dizer nada, mas pensava. Um turbilhão de coisas vinham na sua mente. O primeiro beijo deles, como eles fizeram juras de que o amor deles seria pra sempre. Maldita distância, sempre estragava tudo. Na verdade, ela nunca se esqueceu. Queria dizer, mas não conseguia fazer sair de dentro dela. Tinha medo do que ele fosse pensar, tinha mais medo ainda de estragar aquele momento. Afinal, ele, dono de uma das maiores empresas do Brasil e ela, grande jornalista, muito renomada. Só que, mais uma vez, ela não chegava aos pés de tudo o que ele era. Ela não sabia como ele conseguia, só sabia que era puro esforço próprio, isso a encantava. Quase tanto quanto seu sorrisso. Aquele sorriso.)
-Senti sua falta -disse ele.
-(...) -Não vai dizer nada?
- Eu também senti. E muito. - disse ela.
-Queria que as coisas tivessem sido diferentes pra gente, foi tudo tão corrido.
-Eu sempre te disse isso, no momento que eu te conheci melhor, soube que você seria a melhor coisas que ia acontecer na minha vida. Mas nunca duvidei que o destino iria nos pregar uma peça..
-Verdade, você sempre dizia.. e eu ficava com tanta raiva
(Ele faz aquela voz amena, aquele sorrisso doce. Aquele sorrisso,)
-Pois é, maldito destino! Eu poderia ter te conhecido em outra vida, onde nao houvesse tanta discórdia, tantos problemas, tanta coisa.. Ou poderia ter te conhecido hoje.
-Será que seria a mesma coisa? Apesar de serem lembranças, ainda são tão doces. Eu não trocaria nada desse mundo por elas.
-Nem para ter lembranças novas?
-Por que preciso apagar as antigas? As novas poderiam ficar ao lado delas, eu dou conta.
-Ficaria muito feliz.
-Que tal um jantar?
-Claro! Um jantar..
-Mas me promete uma coisa?
-O que?
-Tudo o que dissermos, temos que cumprir.
-O que eu disse que não cumpri?
-Disse que iria passar a vida inteira ao meu lado.
-Pra mim, a vida tá começando nesse exato momento.
(Eles saíram nas duas noites seguintes. Namoraram dois meses. Casaram. E o "maldito destino" pregou outra peça neles..)
domingo, 15 de maio de 2011
Aliteração
Pedro Paulo pegou panela possesso. Pediu para prima panqueca. Paciência Pedro Paulo, papagaio papou panqueca. Papai pegou pelo pé papagaio peralta. Palhaço, papagaio parece papagear para papai possesso, papai penalizou papagaio peralta! Papagaio perdeu penas, partiu pescoço e pediu perdão. Pedro Paulo pegou pelo pé papagaio pulando perto do paneleiro. Papai Patrocínio pulou para pegar papagaio pulante. "-PUM!" Papagaio pirou, papai possesso parou. "-Puxa, parece pesadelo!"
E aí? Será que você consegue fazer uma? :)
E aí? Será que você consegue fazer uma? :)
segunda-feira, 25 de abril de 2011
"Bom dia"
Chego da escola e sempre me olha com aquela cara estranha. No fundo, isso me dá uma grande revolta. Meu pai finge que não liga mais, que já se acustumou com a falta de interesse dela pelas nossas coisas. Mas eu sei que isso não funciona assim, que essa compaixão dele não é tão intensa. Minha vida tinha tudo pra ser perfeita. Amigos maravilhos, uma escola ótima e um ensino de qualidade. Mas penso que isso tudo não passa de lixo quando não posso compartilhar isso com a pessoa mais importante.
Sempre tão concentrada em suas coisas, sempre tão ocupada e não está nem aí. Era para sermos amigas, e até confidentes. Acaba não sendo nada disso e isso me revolta.
Vejo que não adianta de nada ter uma vida perfeita quando o que se mais precisa não está ali, eu gosto de ir à praia, ela não. Eu gosto de escrever e ler, compartilhar os meus objetivos. Não dá.
Vou direto para meu quarto e lá continuo pelo resto da noite, trancada. Revoltada, imaginando como tudo seria se ela não fosse assim. Queria que fosse diferente, podiamos ir passear no shopping e tomar sorvete em dias quentes. Não dá.
Se soubesse, eu veria um sorrisso dia após dia. Ela só critica e é criticada, não aguento mais isso. Ela passa todos os dias aqui e quando chego, o minimo de atenção que deveria ter, não tenho. Devo ser muito incapaz. Incapaz de faze-la gostar de mim pelo que sou, incapaz de criar interesse dela por mim. Aonde já se viu, ela não sabe o meu nome direito, só sabe aonde estudo porque é debitado todo mês. Não sabe nem a data do meu aniversário direito. Não dá.Ela podia entrar aqui no quarto e brigar comigo. Podia entrar sem bater e reclamar do quão ausente eu sou, ela pode colocar a culpa em mim, não vou ligar. Ela pode entrar, chorar, gritar e pedir pra que eu mesma nunca a esqueça. Ela podia brigar sem ser convocada. Gritar as verdades, que na verdade, não quero ouvir. Ela pode jogar tudo o que a irrita nas minhas costas, eu carrego pra ela, se isso a fizer se sentir melhor..
- QUE DROGA! Falo comigo mesma. - Não dá, não dá, não dá.
Resolvo sair cambaleando do meu quarto para beber alguma coisa, olho pra ela e ela ainda está ali, no mesmo lugar, reclamando da vida e de todos. Achando tudo ruim, sem entender nada.
A campainha toca, é ele de novo. Um sentimento de raiva sempre me toma quando ele chega. Não sei se é ciumes, se eu queria estar no lugar dele.. De verdade, só queria poder entender quanto como ele parece entender. Essas rotinas tão repentinas me deixam louca. E esse ritual que se segue, pior ainda. Ele vem e eles conversam um pouco, escrevem algumas coisas e pronto. E ela não está em aí, vive sorrindo como se nós não sofressemos.
Além de tudo e de todos, o mais me irrita acaba sendo o que se passa aqui dentro. Na minha mente e no meu coração. Não posso negar, é para sempre. Por todos os dias da minha vida. Fico enojada por achar que não há possibilidades. Como não há possibilidades?
Eu sinto, tão intensamente.
Amor, compreensão, carinho e vontade de poder dar cada dia mais, mesmo sem receber em troca. Lavar a louça, lavar a roupa, fazer a comida. Não me importo, quero que ela esteja aqui, somente isso. Sei o quanto me revolta essa situação e o quanto me assusto por te-la e ao mesmo tempo não te-la por perto. Choro todas as noites, dia após dia, fico irritada e reclamo muito da vida.
Mas não posso negar pra mim mesma que quando deito pra dormir eu torço somente que ela esteja ali de manhã. Torço para que ela acorde curada desse Alzheimer, para que ela me reconheça, para que ela venha me acordar, dizendo:
“Bom dia, filha!”
Assinar:
Comentários (Atom)


